Os Quatro Princípios da Homeopatia

Lei dos Semelhantes

     Similia Similibus Curantur

    Os semelhantes se curam pelos semelhantes. É pela ação de uma substância semelhante às manifestações de uma enfermidade que conseguimos obter a cura. 

    Para tratar um indivíduo que está doente é necessário aplicar um medicamento que apresente (quando experimentado no homem sadio) os mesmos sintomas que o doente apresenta.

Experimentação no homem são

    O método de se conhecer  que existe de terapêutico em cada substância da natureza é através da experimentação no homem saudável. 

    As experimentações com substâncias preparadas homeopaticamente devem ser realizadas em homens sãos para que possam ser usados para curar homens doentes. 

    Em cada experimentação, os sintomas físicos, mentais, emocionais, as sensações e alterações no modo de ser e estar, de reagir e interagir com o meio, que vão surgindo nos experimentadores, vão sendo cuidadosamente anotados e, posteriormente, classificados e analisados, dando origem ao que chamamos de Patogenesia.

Doses Mínimas e dinamizadas

    As substâncias medicinais homeopáticas passam por uma técnica de diluições e sucussões repetidas a qual se denomina "dinamização" ou de "potencialização" do medicamento.

    Hahnemann percebeu que as substâncias experimentadas, quando administradas ao doente, podiam causas sérias agravações. Para escapar dessas reações indesejáveis passou a diluir cada vez mais os medicamentos, percebendo que obtinha melhores resultados quando eram também agitados.

Medicamento único

    Hahnemann recomendava o uso de apenas um medicamento de cada vez, ou seja, o medicamento que mais se assemelhasse ao quadro do doente, incluindo as esferas físicas e mentais.

    Algumas correntes utilizam vários medicamentos para diferentes sintomas, aproximando-se da abordagem organicista da medicina tradicional, embora o pai da homeopatia, Hahnemann, e diversos de seus seguidores, pregavam o medicamento único em uma abordagem mais holítisca, isto é, tratando-se o doente como um todo e não as partes afetadas isoladamente. 

As Linhas da Homeopatia

 

   ⇢ Unicismo: Utiliza-se apenas um medicamento que inclua os planos mental e orgânico do paciente, vendo-o como um todo. É prescrito baseado na totalidade sintomática do paciente e permite a verdadeira cura. É a linha preconizada pelo criador da Homeopatia, Samuel Hahnemann. Geralmente é em dose única.
   ⇢ Pluralismo ou alternismo: Permite o uso de dois ou mais medicamentos no mesmo caso em momentos separados, em intervalos regulares ou de maneira alternada.
   ⇢ Complexismo: Prescrição simultânea de vários remédios homeopáticos, em uma única fórmula, com ação direcionada à determinados órgãos ou doenças. São as fórmulas comerciais.

     A Homeopatia original (fundada, desenvolvida e aperfeiçoada por Samuel Hahnemann e seus sucessores) tem como uma de suas bases a descoberta e a prescrição de um remédio único, individualizado e dinamizado para a cura da totalidade sintomática do sujeito doente. Remédio para o doente, não para a doença. 

Planta em um frasco de vidro

A História da Homeopatia

Texto do Dr. Gilson Freire [adaptado]

Os primeiros passos de Hahnemann

 

    Samuel Hahnemann nasceu em 10 de abril de 1755 em Meissen, na Alemanha. Iniciou sua prática médica em 1779, época em que sangrias, eméticos e purgantes eram receitados sem nenhum resguardo e muitos malefícios. Os médicos julgavam-se autoridades máximas e não duvidavam de seus métodos mesmo diante de desastrosas evidências do dano que causavam. Hahnemann frustrou-se profundamente com a prática médica e decidiu abandoná-la em 1789. 

    Um de seus escritos reflete a angústia e o desânimo que pousaram sobre ele naquela época: "converter-me em assassino de meus irmãos era para mim um pensamento tão terrível que renunciei à prática para não me expor mais a continuar prejudicando". Essa postura mostra sintonia com a máxima hipocrática: "Primo no nocere", ou seja, primeiramente não prejudicar. 
    Hahnemann era um poliglota (consta que conhecia grego, latim, hebraico, árabe, caldeu, alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, entre outras línguas), por isso, para sustentar sua família, dedicou-se, por muitas vezes, à tradução de obras médicas e científicas, retomando estudos de antigos mestres como Hipócrates. 

A Experimentação da Quinina

    Foi quando trabalhava na tradução da Matéria Medica de Cullen, em 1790, que um fato descrito por aquele autor chamou sua atenção. O farmacologista descrevia pela primeira vez os efeitos curativos da quinina na malária: na ocasião, pesquisadores haviam descoberto que os índios peruanos usavam a água amarga de quinina para se protegerem contra o “mal dos pântanos”; prática que eles tinham aprendido a partir da observação de que os macacos que bebiam as águas das lagoas onde caíam as cascas da árvore Chinchona officinalis, da qual se extrai a quinina, estavam isentos do impaludismo. Cullen detalhava ainda que os nativos que manipulavam as cascas da árvore intoxicavam-se com a droga, terminando por apresentar acessos febris como se estivessem com malária.

    Hahnemann movido por curiosidade e intuição decide experimentar, nele mesmo, a quinina. Observou em si o aparecimento de sintomas semelhantes ao das crises febris da malária (esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça), restabelecendo sua saúde ao parar de ingerir a substância. Assim, Hahnemann chegou à conclusão de que a quinina melhora os sintomas da malária em doentes porque provoca, em pessoas saudáveis, sintomas semelhantes aos dessa enfermidade. Recordou-se então de Hipócrates, que já anunciara o princípio da similitude: "Pelo semelhante a doença surge e pela aplicação do semelhante a doença desaparece". Repetiu várias vezes o experimento e ampliou suas pesquisas experimentando de forma diluída outras substâncias conhecidas pela medicina da época. Inspirado pela obra de von Haller, que preconizava o estudo do medicamento na pessoa saudável, antes de ser ministrada ao doente.

    Em seguida incluiu seus amigos e parentes nas experiências, observou e anotou pormenorizadamente os resultados. Os resultados dessas primeiras pesquisas foram publicados em 1796 num texto chamado de "Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual", que marca o nascimento do sistema médico que Hahnemann denominou Homeopatia (do grego: homoios - semelhante + pathos - afecção ou doença).
    Hahnemann se empenhou na luta pela divulgação do sistema médico que havia desenvolvido. Sofreu perseguições e censuras, sendo obrigado a mudar de cidade várias vezes para continuar seu trabalho. Nunca desistiu de ver crescer a utilização da verdadeira Homeopatia para o bem dos doentes. Indesejado na Alemanha, em decorrência de seus ardorosos ataques aos médicos da “velha escola”, como ele se referia à prática alopática, exilou-se na França em seus oito últimos anos de vida, vindo a falecer no dia 2 de julho de 1843, com 88 anos, em Paris.